Joaquim Saldanha Marinho

04/06/2024

Leitura essencial para quem deseja entender o que é Educação e os processos de desenvolvimento da alma e a emancipação do Espírito do Homem.

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04 mai. 1818 – 27 mai. 1895

Olinda-PE – Rio de Janeiro-RJ

Joaquim Saldanha Marinho, filho de Pantaleão Ferreira dos Santos (falecido na Revolução Pernambucana de 1817) e de Dona Augusta Joaquina Saldanha.

Nasceu em 04 de maio de 1816 na cidade do Recife, Pernambuco. Foi advogado, jornalista, político, professor, sociólogo e Grão-Mestre da Maçonaria.
Matriculou-se na Faculdade de Direito em 1832, formando-se a 15 de novembro de 1835.

Saldanha Marinho – o “Ganganelli” – o Líder Maçom que influenciou a queda da Monarquia e a Separação da Igreja do Estado Brasileiro.

Em março de 1860 mudou-se para a corte onde assumiu a redação do Diário do Rio de Janeiro. É este o período mais importante de sua vida, sempre cercado de homens como Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Quintino Bocayuva. Quando em 1870 ajudou a organizar o recém fundado Partido Republicano, foi reconhecido como o chefe do Grande Oriente do Brasil e o principal porta voz da Maçonaria no País.

Sob o pseudônimo de “Ganganelli” Saldanha Marinho influenciou boa parte da Imprensa Nacional em uma guerra panfletária contra o que a Maçonaria Brasileira enxergava como seus Principais inimigos: O Papa Pio IX e o movimento Ultramontano dos Bispos Dom Vital de Olinda, e Dom Macedo Costa do Pará, que consideravam a autoridade Papal como superior aos outros poderes seculares.

Em sua luta anti-clerical na Impressa Saldanha Marinho e os Maçons inflamavam o Laicismo na Sociedade Brasileira. Saldanha Marinho em seu livro “A Igreja e o Estado” de 1873 alega que no Brasil, em meio à questão religiosa, o clero se mostrava relutante para aceitar a implantação dos Direitos do Homem decorrentes da Revolução Francesa, e que a Liberdade Religiosa e a Separação da Igreja e do Estado eram inevitáveis. O Líder Maçom e Republicano foi inclusive excomungado pelo Papa Pio IX em 1873 por suas atividades anti-clericais e declarações hostis na impressa contra a Igreja.

Foi um dos fundadores do Clube Republicano, junto com Quintino Bocaiúva e do jornal “A República”, na qual é lançado o “Manifesto republicano” de 1870.

Com a Proclamação da República Brasileira, foi um dos autores do anteprojeto da Constituição de 1891 e senador da República pelo Distrito Federal, de 1890 até a sua morte em 1895.

Saldanha Marinho faleceu no dia 27 de maio de 1895, aos 79 anos, na cidade do Rio de Janeiro.

Mandatos

  • 1848 – 1848: Deputado Geral – CE
  • 1861 – 1863: Deputado Geral – RJ
  • 1864 – 1866: Deputado Geral – RJ
  • 1865 – 1867: Presidente de Província – MG
  • 1867 – 1868: Deputado Geral – PE
  • 1867 – 1868: Presidente de Estado – SP
  • 1878 – 1881: Deputado Geral – AM
  • 1890 – 1891: Senador – DF
  • 1891 – 1893: Senador – DF
  • 1894 – 1895: Senador – DF

Trabalhos publicados

  • O Rei e o Partido Liberal. Rio de Janeiro, 1869, 2 V., 61 E 64 P. In. Quarto destes dois excertos foram reimpressos em um só volume com o título: ‘A Monarquia e a Política do Rei’. Rio de Janeiro, 1885. 153 P. In Quarto nesta edição se acham mais dois Artigos: ‘O Elemento Servil’ e o ‘Partido Liberal em 1885’.
  • ‘A Igreja e o Estado’, sob o pseudônimo de Ganganelli. 4 V. Segunda Edição, Rio de Janeiro, Typ. Imp. De J. C. De Villeneuve, 1874, 1875, e 1876 (IHGB). Estes escritos publicados, primeiro no ‘Jornal do Commercio’ com o pseudônimo de Ganganelli, eram procurados com avidez admirável durante a questão religiosa.
  • Da mesma época e com o mesmo pseudônimo:
  • ‘Os Actos do Papado’, Ganganelli. RJ, 1874.
  • ‘Decadência do Papado’, Ganganelli. RJ, 1874.
  • ‘Propaganda Episcopal’, Ganganelli. RJ, 1874.
  • ‘O Assalto de Macapá e o Ultramontanismo’, Ganganelli RJ, 1874, em duas partes.
  • ‘O Governos e os Bispos’, Ganganelli. RJ, 1874.
  • ‘O Confessionário’, Ganganelli. RJ, 1874.
  • ‘O Arcebispo da Bahia’, Ganganelli. RJ, 1874. O capítulo vigésimo sétimo da segunda série do livro a Igreja e o Estado, a propósito da manifestação de outubro.
  • Missão Penedo, estado da questão religiosa. RJ, 1874. 6 partes formando um volume.
  • Julgamento do Bispo de Pernambuco. Ganganelli. RJ, 1874. 6 partes em um volume.
  • A Execução da Sentença do Bispo de Olinda. Ganganelli. RJ, 1874, 4 partes em um volume.
  • A Declaração do Senador Conselheiro Zacarias de Vasconcellos. Ganganelli. RJ, 1874.
  • Manifesto que ao povo maçônico do Brasil, e todos os Maçons em geral dirigiu o grande oriente do Brasil do Vale dos Beneditinos, proferiu no dia 24 de fevereiro de 1864, por ocasião de presidir pela primeira vez aos trabalhos. Rio de Janeiro, 1865. 56 P.
  • Discurso proferido na sessão de posse da primeira admissão A: E R: Off: Fernão Valle de Valença, em 14 de agosto de 1865. RJ, 1865. 24 P. Discursos proferidos por ocasião das posses dos Ddg: Off: Das Of: Segundo a ascensão ao Vale dos Beneditinos e Instituição das Sociedades Libertadoras (pelas Senhoras) e Protetora dos Libertos, aos 26 de março e 2 de abril de 1870. RJ, 1870.
  • Discurso proferido na abertura dos trabalhos da Assembléia Geral do Povo Maçônico Brasileiro, em 27 de Abril de 1972. RJ, 1872.
  • Discurso proferido por ocasião da posse das Administrações das Lojas: Confraternidade Beneficente e Ceres, em 20 de maio de 1876, na cidade de Cantagalo. Rio de Janeiro, 1876. 12 P.
  • A questão da alfândega e o Dr. Joaquim de Saldanha Marinho. Rio de Janeiro, 1862. 46 P. A mesa da diretoria do Partido Liberal de Pernambuco e o Conselheiro Joaquim de Saldanha Marinho. RJ, 1870. 16 P.
  • A questão religiosa no Brasil, discurso na Câmara dos Deputados, em 16/07/1880. Rio de Janeiro. 96 P.

Escreveu :

  • Direito comercial (1869),
  • O governo e os bispos (1874),
  • A igreja e o estado (1873-1876),
  • A monarquia e a política do rei (1885) e outros.
  • redator do “Diário do Rio de Janeiro”.
  • Foi também um dos autores do anteprojeto da Constituição Republicana.

Outras Informações

  • Trabalhou em favor da maçonaria durante a questão religiosa, promovida pelos bispos de Olinda e do Pará.
  • Quando dirigia o ‘Diário do Rio de Janeiro’, juntamente com Francisco Octaviano, então diretor do ‘Correio Mercantil’, levantou acirrada campanha contra o Partido Conservador ou Saquarema no ano de 1859, que, devido à morte seu líder, o Marquês do Paraná, três anos antes, encontrava-se enfraquecido na luta contra os Liberais ou ‘Luzias’.
  • Participou ativamente da Campanha Eleitoral de 1860, na corte, juntamente com Francisco Octaviano e Theóphilo Benedicto Ottoni, quando, então, conseguira derrotar o Gabinete Conservador.
  • Foi deputado na época do Ministério formado pelos Conselheiros Furtado, o Marquês de Olinda e o Conselheiro Zacarias. seu mandato desenvolveu-se também durante a Guerra do Paraguai.
  • Foi eleito senador pelo Ceará, através de lista tríplice.
  • Segundo o ‘Jornal do Commercio’, estavam, entretanto, contados pelo Lápis Fatídico, os dias da situação Progressista Liberal.
  • Uma questão de atribuições do Poder Moderador, ou, antes, a clarividência do Conselheiro Zacarias, de ‘Cair Bem’, fez sair o Ministério.
  • Subiu o Partido Conservador, com o Visconde de Itaboraí, a 16 de Julho de 1868, a Aurora da Regeneração que o Conselheiro Zacarias em discurso vibrante obumbrou em um ‘Desacerto’ Corretamente Parlamentar!
  • A Câmara dos Deputados, quase totalmente Liberal, foi dissolvida por Itaboraí. – Em 1860, através da votação, dirigida pelo Barão de Cotegipe, o Senado anulou a eleição do Ceará, atingindo, então, o mandato de Saldanha Marinho.
  • Este fato levou-o a assinar o Manisfesto Republicano, em 1870, que originou, mais tarde, na criação do jornal ‘A República’, porta-voz desta facção dos Liberais.
  • Outros agruparam-se em torno de ‘Opinião Liberal’ e um Grupo formado por ex-ministros e Senadores, fundou o Clube da Reforma e ‘A Reforma’.
  • Sob o pseudônimo de Ganganelli, escreveu os artigos ‘À Igreja’ e ‘O Estado’, publicados no ‘Jornal do Commercio’, na seção a pedidos, e referia-se à questão religiosa entre a Coroa e a Igreja.
  • Com a volta do Partido Liberal ao Poder, em 1878, entrou, pela terceira vez, na Câmara, como Deputado pelo Amazonas. – Combateu a Monarquia.
  • Defendeu o Abolicionismo.
  • Deixou a chefia do Partido Republicano, em 1889, no Congresso de Juiz de Fora. – Quando Presidente de Minas Gerais, de 1865 a 1867, reabilitou o nome de Tiradentes e construiu o monumento em Ouro Preto (MG).
  • Quando Presidente de São Paulo, promoveu a criação da Cia. Paulista de Estrada de Ferro. – Rompeu com o Império em 1868.
  • Foi signatário do Manifesto Republicano de 1870, o qual foi redigido em sua casa. – Foi eleito Senador por três anos, em 1890, por ser o menos votado dos três eleitos para o Distrito Federal.
  • Foi Redator do ‘Diário do Rio de Janeiro’, em 1860.

Pseudônimo “O Ganganelli”

O pseudônimo de Saldanha Marinho parece seu uma homenagem a Giovanni Vincenzo Ganganelli, o papa Clemente XIV (1705 – 1774).

Papa Igreja Cristã Romana (1769-1774) nascido em Sant’Arcangelo di Romagna, Forlì, hoje Rimini, foi eleito em 4 de junho (1769) para suceder Clemente XIII (1758-1769), que estabeleceu relações com os reinos católicos e dissolveu a Companhia de Jesus. Frade da Ordem dos menores conventuais, professor de teologia, foi convocado pelo papa Bento XIV, para dirigir do colégio São Boaventura (1740), em Roma. Tornou-se consultor do Santo Ofício (1746) e foi nomeado cardeal por Clemente XIII (1759), a quem sucederia dez anos depois.

Diante do problema da Ordem dos Jesuítas, não resolvido por seu predecessor e temendo um novo cisma na Igreja, que já perdera a Inglaterra e parte da Alemanha, julgou conveniente para os interesses da Igreja dar seu consentimento ao pedido feito por tantos Estados católicos e, com a bula Dominus ac Redemptor noster, dissolveu a Companhia de Jesus (1773), satisfazendo a Espanha, Portugal e França. Seu gesto foi severamente julgado pelo colégio cardinalício e ainda hoje é discutido pelos historiadores, que o consideram governado por simpatias pelo jansenismo e fruto de pressões políticas da França e da Espanha. Pelo menos não culpou os jesuítas de crimes ou heresias e os seguidores de Santo Inácio de Loyola obedeceram ao Papa.

Também deve-se a ele o início da secagem dos Pauis Pontinos e a fundação do Museu Clementino que por causa do trabalho de seu sucessor Pio VI, passou a se chamar de Museu Pio-Clementino. Papa de número 250, morreu em 22 de setembro (1774), em Roma, e foi sucedido por Pio VI (1775-1799).

Saiba mais: https://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Clemente_XIV.

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Galeria

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Referências:

Arquivo Nacional. Fundo/Coleção R1 – Joaquim Saldanha Marinho. Disponível em: https://dibrarq.arquivonacional.gov.br/index.php/joaquim-saldanha-marinho. Acesso em: 31 mai. 2024.

Brazil Imperial. O Ganganelli. Disponível em: https://www.facebook.com/BrazilImperiu/posts/saldanha-marinho-o-ganganelli-o-l%C3%ADder-ma%C3%A7om-que-influenciou-a-queda-da-monarquia/2886072938389571/. Acesso em: 31 mai. 2024.

Giovanni Vincenzo Ganganelli, o papa Clemente XIV. Disponível em: https://web.archive.org/web/20130113012030/http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/PPClmn14.html. Acesso em: 01 jun. 2024.

SENADO FEDERAL. Secretaria-Geral da Mesa, Coordenação de Arquivo e Coordenação de Biblioteca. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/senadores/senador/-/perfil/1865. Acesso em: 01 jun. 2024.

SENADO FEDERAL. Publicações do Senador Saldanha Marinho na Biblioteca do Senado Federal: Biblioteca do Senado Federal. Acesso em: 01 jun. 2024.